segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tobias Barreto

Um eterno lutador com palavras

Tobias Barreto de Menezes nasceu em Sergipe (Vila de Campos do Rio Real), no dia 07 de junho de 1839. Filho de Pedro Barreto de Manezes e Emerenciana Maria de Menezes. Era professor, filósofo, político, advogado e poeta. Casou-se em 1869, no Engenho Riqueza, paróquia de Escada, com Grata Mafalda dos Santos. Residiu na cidade de Escada de 1871 a 1881, travando uma luta constante em prol da mudança da mentalidade do povo escadense, totalmente subalternos aos políticos e professores da época. Não perdia oportunidade de apontar os erros na vida dos homens políticos desta cidade. Revoltado com o insucesso e retrocesso cultural do povo escadense, pronunciava sempre a frase “isto é escada somente para descer”.
Em setembro de 1877, tentou uma ação política e cultural, fundando o Clube Popular Escadense, onde iniciou uma luta notável pelos direitos da mulher brasileira, e simultaneamente esperava incutir o mais vivo sentimento do seu valor, despertando a revolta dos opressores no seu entusiasmo pelos oprimidos. O clube teve efêmera duração, tal acontecimento fez o grande sábio desabafar: “foi esta inda uma das muitas ilusões de que se tem alentado nesta bela terra, onde, aliás, vim sepultar os dois mais caros objetos do meu coração e da minha fantasia: minha mãe e meu futuro”.
Durante o período em que viveu, ele escreveu parte de seu magnífico livro “Dias e Noites” (único volume de versos) e vários periódicos críticos, literários e noticiosos, entre eles destacam-se os seguintes jornais: “Sinal dos Tempos”(1874), a “Comarca de Escada”(1875); “Devaneio Literário” – Dedicado à mocidade escadense(1875); “O Desabuso”(1875), “Lutador Alemão” – redigido em alemão (1875); “O Escadense” (fim de 1877); “A Igualdade”(meados de 1878); “Contra a hipocrisia”(1878); “Estudos Alemães”; e a Revista mensal de Filosofia, Direito, Literatura e Crítica, publicada em outubro de 1880.
Os periódicos foram impressos, exceto “O Lutador Alemão”, na tipografia de Antônio Pedro Gomes Magnata, em Escada, Rua Dr. João Pessoa, nº 22, conhecida como Rua da Cadeia.
Em 1881, por motivo de desentendimento com os herdeiros de seu sogro, foi envolvido injustamente numa questão de escravos fugidos, sua casa foi cercada pela policia e capangas. Insultado e ameaçado decidiu sair do município de Escada e foi residir em Recife.
Em 1822, conquistou a cátedra de Prática de Processo, da Faculdade de Direito do Recife, regendo as cadeiras de Filosofia do direito, Direito político, Direito criminal, Economia política e Prática de processo. O seu vasto conhecimento sobre o estudo de Direito fez com que conquistasse o nome de ‘Jusrisconsuto’.
O período do magistério político de Tobias Barreto teve pouca duração. Vítima de complicação cardíaca, faleceu na noite de 26 de junho de 1889, em Recife, sem conseguir realizar dois grandes sonhos: ser deputado ou senador por Sergipe e ir à Alemanha fazer conferência em Berlim.
A trajetória de Tobias Barreto em Escada, muito contribuiu para incrementar as páginas da nossa história e da população escadense suas obras foram relevantes como incentivo para aqueles que apreciam a Literatura e buscam o enriquecimento cultural través dos trabalhos profícuos que tanto enalteceram a nossa cultura. A Academia Escadense de Letras, presta-lhe homenagem, nomeando sua Instituição, como: “Casa Tobias Barreto”.

Mariinha Leão - Acadêmica da AELE

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