DISCURSOS


-DISCURSO DO 7º ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS, E POSSE DE SEUS NOVOS ACADÊMICOS, PROFERIDO POR SEVATIL LÔBO, ORADORA DA AELE, EM 20 de maio de 2017-

Excelentíssima Presidenta da Academia Escadense de Letras, Prof.ª Dr.ª, Sr.ª Ana Lúcia Neto;
Excelentíssima Presidenta da Academia- FAESC, Prof.ª Dr.ª, Sr.ª Sílvia Pereira;
Autoridades Presentes;
Componentes da Mesa;
Colegas Acadêmicos;
Alunos e Convidados;
Sras. e Srs.

(Introducão)

Hoje, na noite deste dia, sopra uma suave brisa outonal, ouve-se lá fora o farfalhar das árvores, e os prenúncios do Inverno já se fazem sentir, mas, precisamente nesta noite, A ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS, comemora o seu 7º Aniversário, e como “7” é o número das coisas plenas, posto que o Criador em 7 dias, criou os Céus, a Terra, os Mares, as Plantas, os Animais, e o Homem; desejo, antes de iniciar-me acerca da trajetória da Academia Escadense de Letras, abrir um preâmbulo, para discorrer a respeito da Origem e do Conceito de uma Academia.
As Academias surgiram há quase 24 séculos atrás, no tempo da Antiguidade Clássica, nos Jardins vizinhos de Atenas, consagrados ao herói ateniense – Academus, onde Platão estabeleceu sua Sociedade-Escola de Filosofia, chamada “Academus”, de caráter cultural e religioso. Perdurou de 385 a.C. até o ano de 529 d.C.. Os nove séculos de duração da Academia Platônica projetaram o seu nome para o futuro, fazendo-o ressurgir na Renascença.
O vocábulo ACADEMIA está dicionarizado da seguinte forma: Estabelecimento de ensino superior de ciência ou arte; faculdade, escola; Sociedade de caráter científico, literário, artístico, etc.; sendo estes os conceitos do sentido Platônico.
Somos então, uma Sociedade de caráter literário, científico, artístico e filosófico; abrigamos portanto: poetas, escritores, ensaístas, cientistas, filósofos, juristas, musicistas, etc.; e temos o compromisso de: esclarecer as mentes, alimentar ideias e ideais, indicar caminhos, leituras seletivas, ajudar na produção da Palavra artística; sem deixar de proclamar as inquietações sociais próprias de um novo século.

(Trajetória da AELE)

Então, estamos reunidos aqui, na Academia denominada FACULDADES DA ESCADA, para esta Solenidade de Aniversário do 7º ANO da Academia Escadense de Letras, e Posse de seus novos Membros.
Nesses 7 Anos, teve à sua frente, 4 Presidentes: o primeiro, Dr. José Luís Minduca – presidente Honoris-causa e fundador principal da Instituição; o segundo, o Psicanalista e Professor Waldyr Siqueira; a terceira, a Professora e Mestra, Teresinha Melo; e a quarta, aclamada para o biênio 2016 a 2018, a Professora e Doutora, Ana Lúcia Neto.
Todos – incansáveis e zelosos a fim de aprimorar a Cultura da Sociedade escadense.
Ao longo desses 7 Anos, foram instituídos na Agenda Anual da AELE – eventos, concursos e atividades literárias que passarei a relacionar:
“O Natal com Poesia”;
“O Concurso Literário da AELE”;
“Antologia da AELE”, lançamentos anuais, nos gêneros: Ficção e Textos Científicos;
“O Chá das Cinco”;
“Intercâmbio Cultural”;
“Encontro das Academias de Letras e Artes, das Microrregiões de Pernambuco”;
“Saraus Literários” – mensais;
“Bloco Lírico da AELE” – durante o Carnaval;
“Almoçando no Mercado” – encontro entre Poetas populares e os Acadêmicos da AELE;
“Forró da AELE” – durante o mês de junho;
“Passeio Ciclístico da AELE” – no entorno do Casario e Patrimônio Histórico do Município;
 “Lendas Urbanas e Rurais do Município” – vivenciadas em encontros programados pela Academia;
“Coral da AELE - Sebastião Araújo” – dirigido pelo professor Dimison Gomes, também seu Maestro, e hoje, empossado como Membro Efetivo da AELE.
A Academia Escadense de Letras possui as Comendas:
“Ordem do Mérito Maior da Casa Tobias Barreto”;
“Ordem Arimunã do Mérito Literário Samuel Campelo”;
“Ordem do Mérito da Justiça Social Manuel Valentim”;
“Ordem do Mérito Espírito da Paz”;
“Ordem do Mérito Jundiá Grande – Cícero Dias”;
Ordem do Mérito da Educação – Barão da Escada”;
Eestabelece hoje, a “Comenda José Luís Minduca da Cultura Escadense”, que nesta noite , será entregue à sua genitora e ao Acadêmico Luciano ......................

(Fala da Oradora)

Sras. e Srs.,
Somos como o rio que passa, segue o mar e jamais retorna, pois a água de hoje, não será a água de amanhã; e como dizia o renomado romancista Francês, Marcel Proust: ”É necessário nunca ter medo de ir longe demais, porque a verdade está sempre mais adiante”; e a nossa Cecília Meireles, afirmou: “Que ninguém passe em vão ao nosso lado”; e a fim de frisar a importância de alguém que marcou as nossas vidas, está o primeiro Presidente da AELE – o Dr. Luís Minduca – meu amigo, meu ex-aluno, meu colega de Academia; precisaríamos de muito tempo para discorrer a respeito de sua biografia; palavras, elogios, não dariam conta de externar tudo o quanto, o prezado Acadêmico significou para nós; deixou-nos o seu legado de Homem de Letras – como Poeta, Historiador, Cidadão escadense, que, como afirma Valterjoy Lôbo, “Fez por Escada, nesses últimos 30 Anos, o que muitos não fariam ainda que tivessem 100 Anos à disposição”. A Academia Escadense de Letras escolheu os dias 17,18 e 19, deste mês de maio, para homenageá-lo e agradecer-lhe pelo imorrível legado a nós outorgado. E hoje, em sua homenagem, estabelece a “Comenda José Luís Minduca da Cultura Escadense”. A ele, portanto, nossos agradecimentos, aplausos e memória eterna.

(Ao Mestre Antonio Candido)

Ao abrir o Diário de Pernambuco, no dia 13 de maio, uma sexta-feira deste mês, assim se pronunciava o Jornal: ”Faleceu, na madrugada desta sexta-feira, o escritor, crítico literário e sociólogo Antonio Candido, aos 98 Anos de idade”. Li toda a matéria – encontrei-a paupérrima! Conhecendo de perto sua Obra, como: Formação da Literatura Brasileira; Vários Escritos, Literatura e Sociedade; e inúmeros títulos  dos quais acompanhei os seus lançamentos; estarreceu-me, que o maior Crítico Literário do Brasil, publicado no Ocidente e Ásia; responsável e defensor da “Estética da Recepção”, no Brasil, a ele – coubesse apenas meia página, seguida de um anúncio desses prédios feitos, especialmente para ricos.
Lamentei e lastimei, pois em uma de suas palestras, o Metre Antonio Candido, em seu livro “Vários Escritos”, na 2ª parte, capítulo intitulado “O Direito à Literatura”, onde ele defende o direito do pobre, à uma leitura seleta; o professor Candido, afirmava, que “A Literatura é o sonho acordado das Civilizações”, e que, ...assim como não é possível haver equilíbrio psíquico, sem o sonho, durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a Literatura – como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos”. Esta Academia Escadense de Letras, presta-lhe hoje homenagem, e se compromete de através de sua Biblioteca, realizar estudos de sua Obra, para bem formar, o pensamento dos futuros literatos escadenses, e diz: “Descansa agora, grande Mestre!”

(O Cenário do Brasil atual)

O grande Cervantes, disse um dia: “Cada homem é como Deus os fez. E às vezes pior”; o Homem pensa que chegou a um máximo de racionalidade técnica e de domínio sobre a Natureza, mas , ao vislumbrar a atual conjuntura política do nosso país, ficamos boquiabertos ante a confirmação de atraso e pobreza por toda parte, por todos os Continentes. Para citar apenas cinco desses: A corrupção dos governantes; a Imigração desenfreada de países, como o Sudão, Etiópia, Síria, Afeganistão, Venezuela...; o Terrorismo galopante; a explosão de novas drogas; a falta d’água e de alimentos; a violência às crianças e aos jovens; e na nossa Nação, temos uma constatação urgente e a pergunta: “Onde encontrar um Presidente?”

(Meu tempo de FAESC)

Neste instante, as lembranças vêm nítidas e a saudade aperta o peito. Lecionei nesta Academia da FAESC, durante os anos de 2005 a 2007; Como esquecer as manhãs de sábado, das aulas de Teoria Literária à beira da piscina? As análises dos Contos Machadianos e os estudos de Crítica Literária, onde cada um sobressaia-se grandemente. E as apresentações das sínteses dos romances brasileiros, onde todos ficavam em alvoroço? E as Peças Teatrais? E o Dom Quixote caracterizado, perseguido e filmado a rigor, pelo aluno Castro? Os Autos de Gil Vicente, as declamações do Navio Negreiro nos Festivais de Literatura, bem como os recitais de Os Lusíadas?! A vinda do Poeta Marcos Accioly, e sua declamação de O Roçado?! AH!, bons tempos aqueles!

(Conclusão)

E neste momento, caminhando para o final desta retórica, desejamos agradecer a todos que tornaram possível, este evento; que esta noite possa ficar em memória dos que participaram conosco desta Solenidade; e que o povo da Escada, tenha sempre a guarida de um reduto, onde o Conhecimento tem passagem livre; que o Mestre dos Mestres, o Deus único e verdadeiro, “...em quem estão escondidos os tesouros da Sabedoria”, nos abençoe a todos.
À nossa Presidenta, Ana Lúcia, nossos parabéns, pelo modo gentil, gracioso, elegante, e eficaz, com que conduz a Academia de Letras da Escada; e parabéns também à sua Diretoria. Aos Acadêmicos hoje empossados, entre os quais, encontra-se a professora Vanilda Lôbo, minha mãe, sois bem-vindos!
Estarei me ausentando por 25 dias, desta Academia, vou ao Estado do Pará – vou para o lugar onde jorram as fontes; brotam frondosas as mangueiras, e o índio corre solto por matas (ainda) virgens... a Amazônia!
Finalizo com os Versos:
“O homem canta, a sombra reconhece. O homem morre, a sombra permanece”.
A Academia Escadense de Letras, agradece a todos! Obrigada!   

By: Sevatil Lôbo de Siqueira

*******************
DISCURSO DA ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS POR OCASIÃO DE SUA CONFRATERNIZAÇÃO ANUAL
 E LANÇAMENT5O DA IV ANTOLOGIA DE TEXTOS ACADÊMICO S – PROFERIDO PELA ACADÊMICA SEVATIL LÔBO – ORADORA DA AELE – Escada, 27 de dezembro de 2016

Excelentíssima Presidenta da Academia Escadense de Letras;
Ilustre Diretoria da AELE;
Colegas Acadêmicos;
Convidados Presentes; 
Senhoras e Senhores

Se repassarmos em nossa memória, alguns fatos que aconteceram ao longo desse ano de 2016, veremos que alguns muito de perto nos atingiram como seres humanos, e também como Acadêmicos:
Logo de início, assistimos a luta pelo Impeachment, da Presidenta Dilma Rouseff ;
Vimos a Lava-jato estender seus tentáculos e alcançar políticos, que jamais pensaríamos corruptos;
Assistimos a lenta e dolorosa luta dos Imigrantes de todo o Mundo, principalmente da Síria, da África, e do Afeganistão – escutamos o choro incessante das crianças refugiadas, e também vimos o corpo daquela criança de quase dois anos, inerte na beira da praia – acalentada pelo balanço das ondas;
Assistimos aos atentados terroristas na França, e na Alemanha – em Berlim;
Compartilhamos, passo a passo, a truculenta Campanha Eleitoral na América do Norte;
A Literatura perdeu, a partir de 2014, escritores de nomes que se transformaram imorríveis por suas Obras, como: João Ubaldo Ribeiro – nosso cronista-mor; Ariano Suassuna – com sua “Pedra do Reino” e seu Reino, seu “Auto da Compadecida” e suas “Aulas Espetáculos”; ainda no mesmo ano, perdemos Gabriel García Márques – do famoso livro “Cem Anos de Solidão” – com sua cidade imaginária de ‘Macondo’, que narra a origem do povo Colombiano; Neste ano, mês de dezembro, perdemos o grande poeta e crítico brasileiro, Ferreira Gullar; perdemos dia 21, o nosso presidente Honoris-Causa, o Doutor Luís Minduca – nosso poeta,  historiador e cidadão escadense, que, como afirma o contador Valterjoy Lôbo, “fez por Escada, nesses últimos 30 anos, o que muitos não fariam nem que tivessem 100 anos à disposição”; por último, no dia 25, perde a Literatura, a Poeta, Professora da Cátedra de Teoria Literária, do Curso de Letras da UFPE, Membro da Academia Pernambucana de Letras e de outras d’além mar; a Crítica literária renomada entre os atuais – Lucila Nogueira – a grande mulher, com quem tive o privilégio de conviver em anos passados na FUNESO, em Olinda, e na UFPE, como aluna assistente do Curso de Teoria da Literatura.
Voltando ao retrospecto dos fatos:
A Presidência da República luta para convencer o Povo Brasileiro, que se encontra tomando as decisões acertadas, a fim de levantar o País – País, onde atualmente, os pobres tornaram-se miseráveis, os da antiga classe-média, agora pobres, e os ricos, sem riquezas.
Em meio a tantos horizontes tenebrosos, nós que compomos a AELE, chegamos ao final de 2016. Carregamos em nosso acervo o que já produzimos e o que recebemos dos nossos colegas em Cachoeira da Bahia, em Tobias Barreto, Sergipe, como também das cidades das Microrregiões de Pernambuco, entre elas: Tamandaré, Paulista, Moreno, e outras.
Queremos nesta noite, deixar uma mensagem a todos:
“Ainda que todas as luzes se apaguem;
Ainda que queiram calar os gritos de nossas vozes;
Ainda que tentem tirar o viço de nossa maturidade;
Ainda que as crianças pobres, estejam condenadas a
beberem água salobra e pouca, que lhes é imputado por direito;
Ainda que o pão dos homens não mate a fome da Humanidade,
e o mal cheiro das Injustiças se faça sentir em toda a Terra;
Ainda que um tirano esteja a nos espreitar, e se levante com todo seu poder e dinheiro;” (1)

Há uma – LUZ!  E dela falou Isaías a 700 anos antes de Jesus Cristo nascer:

O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. (2)
Então – sigamos sua LUZ!
Sabemos que “o homem só pode falar seu pensamento se pensar sua palavra” (3) , e aquela  PALAVRA, que um dia nos trouxe à existência, nos adverte:
_ Continuemos, pois a vida exige que Marchemos!
Esta Academia de Letras,  em nome de sua presidenta, Ana Lúcia Neto,  e desta oradora , que vos fala, deseja a todos os colegas Acadêmicos e amigos: 
Um Ano Novo Profícuo e Benfazejo!!!


1.     Texto da escritora Sevatil Lôbo
2.     Texto da Bíblia Sagrada, do livro do  profeta Isaías, no cap, 9, vers, 6,

3.     Texto do pensador BONALD

*******************
DISCURSO PROFERIDO POR OCASIÃO DO VELÓRIO E HOMENAGEM PÓSTUMA DA ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS AO PRESIDENTE HONORIS CAUSA – DR. LUÍS MINDUCA – PELA ACADÊMICA E ORADORA DA AELE – SRA. SEVATIL LÔBO


(Diretoria do Biênio 2017 a 2018)

Saudações Acadêmicas a todos


Estamos vivendo a 2ª década, desse 1º século, desse 3º milênio; precisamente o ano de 2016. Ano que em seu final, tornou-se funesto para a Academia Escadense de Letras, pois nos encontramos aqui, pela perda, doída, inesperada, e insubstituível, do amigo e intelectual desta Academia, o Dr. Luís Minduca – o nosso Presidente Honoris Causa, e fundador principal da AELE.
Há quem diga, que não existem pessoas insubstituíveis, o que concordo em termos do aspecto humano, físico; mas há sim, pessoas insubstituíveis no campo das ideias, e, como era chamado carinhosamente de apenas “Minduca”, ele foi e será para nós, alguém insubstituível.
Precisaríamos de muito tempo para discorrer a respeito de sua biografia; palavras, elogios, não dariam conta de externar o sentimento hoje sentido. Fica para nós o seu legado de homem de Letras; sua Obra de 1º como o Poeta, depois, o Historiador, e ainda o Cidadão Escadense, que nessas últimas 3 décadas, contribuiu incansavelmente para o elevo cultural da cidade de Escada.
Desejo ler alguns versos seus, que estão registrados em seu livro “Escada, Riqueza de Pernambuco”, do seu Poema “Sem me ver”:
“Quero um coração batendo
Sem emoções.
Que a pressão não se altere,





Que minha face não core,
Que as urticárias não se manifestem,
Que os sonhos não incomodem
Meus longos e eternos sonos”
...
“E, quando assim for
Na solidão total de um homem
Onde nem a brisa ousa rondar,
 O passado deixará de viver”.
“Em tudo mais,
O que minha alma leva E que me é permitido externar-lhe,
 Deixo que tu percebas,
 Ao sondar no fundo, da minha alma”.

Esta Academia eternamente ser-lhe-á, infinitamente grata!

Desejo neste momento, ler aos colegas e amigos Acadêmicos, um trecho da Palavra de Deus, que se encontra em 1 Tessalonicenses, Capítulo 4, e Versículos 13 ao 18, que diz:
“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais que não têm esperança.
 Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele.
Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor; que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro;
depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com ele nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”.

Desejo ainda, cantar com os amigos, aquele hino cantado pela orquestra do Navio Titanic quando afundava, o hino “Mais perto quero estar”, da Harpa Cristã, de nº 187, apenas a 1ª e última estrofe; tocado por aqueles que tinham dentro de si a esperança do ‘Encontro’, com o Mestre da Galileia; enquanto as pessoas corriam desatinadas, em busca de um barco que as pudesse salvar:

“Mais perto quero estar
Meu Deus de Ti!
Inda que seja dor
Que me una a Ti,
Sempre hei de suplicar
Mais perto quero estar
Mais perto quero estar  
Meu Deus, de Ti!

E, quando Cristo, enfim,
Me vier chamar,
Nos céus com serafins,
Irei morar.
Então me alegrarei
Perto de Ti, meu Rei.
Perto de Ti, meu Rei,
Meu Deus, de Ti!”

Obrigada a todos.
Sevatil Lôbo
 (Oradora da AELE)
 Escada, 21 de dezembro de 2016       






************************
CIDADE DE TOBIAS BARRETO, 29 DE OUTUBRO DE 2016

DISCURSO – PROFERIDO POR OCASIÃO DO INTERCÃMBIO CULTURAL ENTRE A ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS – AELE; E A ACADEMIA TOBIENSE DE LETRAS E ARTES – ATLA, PELA ACADÊMICA E ORADORA DA AELE, ESCRITORA SEVATIL LÔBO.

                                    (Saudações)

Excelentíssimo Senhor Presidente da Academia Tobiense de Letras e Artes, Dr. Adeilson Nogueira;
Excelentíssima Senhora Presidenta da Academia Escadense de Letras, Dra. Ana Lúcia Neto;
Ilustríssimo Senhor Secretário de Cultura, desta cidade, Escritor Josenilson Bispo;
Ilustres Secretários da ATLA e da AELE, Professores-escritores, Senhor e Senhora, Roberto Bispo e Teresinha Melo;
Demais Componentes da Mesa;
Acadêmicos das cidades em Intercâmbio;
Convidados presentes;
Senhoras e Senhores.
(Introdução)

A Academia Escadense de Letras, saúda a Academia Tobiense de Letras e Artes, por ocasião deste Intercâmbio fraterno e tão desejado já de alguns anos.
    Desejamos dizer da alegria manifesta por todas as horas convividas convosco nesta Terra, onde pulsa forte o “sentimento de Sertanidade”, que não é Utopia de um povo sem identidade, mas, como afirma Anco Márcio Tenório – professor do Departamento de Letras da UFPE – quando diz: “O Sertão é a Esfinge que nos espreita todas as horas do dia; o Relógio que marca o nosso descompasso entre o que desejamos ser e o que somos de fato”. Desejamos ainda, saúdar, todo o Povo Tobiense, deste “bravo rincão”, onde a memória do seu maior vulto intelectual, o também nosso – Mestre Tobias Barreto de Menezes – professor, filósofo, crítico, poeta, e Jurista brasileiro – escolhido pela Academia Escadense de Letras, como seu Patrono, por representar para a AELE – como representou para a Faculdade de Direito do Recife, que em sua homenagem, chamou-a carinhosamente, “Casa de Tobias” – o ícone maior, o homem de Letras, que influenciaria e mudaria para sempre as consciências daqueles, que tiveram o privilégio de com ele conviver.

(Trajetória da Academia Escadense de Letras)

    A Academia Escadense de Letras, foi fundada em 2010, e apadrinhada pela Academia Pernambucana de Letras. Seus membros fundadores – Mariinha Leão, José Luiz Minduca, Sebastião Ferreira de Araújo, Valdecí Leocádio,  e Sevatil Lôbo; seus nomes encontram-se grafados num enigma contido no Brasão da Academia. O Lema escolhido para a AELE, foi “Lutar com Palavras”. O 1º Presidente da Academia Escadense de Letras, o Dr. José Luiz Minduca – poeta, historiador, e hoje, Membro Honoris Causa da AELE – escolheu, junto aos Membros Fundadores, o escritor Tobias Barreto para Patrono da Academia, em virtude da admiração dos Escadenses, por tudo o que ele representou e representa, para a cidade de Escada; por sua Luta de ideais humanísticos e libertadores, e por acreditar que as Letras, a Cultura, poderiam libertar, mesmo as pessoas mais simples; e cria que suas ideias contribuiriam para a “revolução espiritual” que viria a deflagrar-se mais tarde no Brasil de sua época. Em seu nascedouro, a Academia teve o seu Hino, intitulado “Lutar com Palavras é vencer o vencedor”, criado pelo poeta e um dos membros fundadores da AELE, o jovem advogado, Sebastião Ferreira de Araújo (in memoriam); À historiadora, poeta, e hoje “Amante da Obra de Tobias” – Mariinha Leão – coube a atribuição de criar o Hino da cidade de Escada.
Em sua 1ª Gestão, de 2010 a 2011 – o Presidente, Dr. José Luís Minduca, criou a 1ª Atividade Cultural, instituída pela AELE – O Natal com Poesia – comemorado com doações de mantimentos e livros, para as crianças de Escolas da Rede Pública, com declamações pelos alunos, e cânticos natalinos; criou o – Chá das Cinco – a fim de estreitar os laços com Escadenses convidados; Instituiu também o – Concurso  Literário Anual da AELE – direcionado aos jovens das Redes Pública e Privada, do Ensino Médio, atribuindo prêmios de incentivo aos vencedores; Instituiu ainda, a ANTOLOGIA da AELE – que continua a ser lançada, a cada mês de novembro; são elaborados em sua gestão, o Regimento Interno e o Estatuto da Academia.
Na 2ª Gestão, de 2012 a 2013 – o Presidente, professor e psicanalista, Waldyr Siqueira – ausente a esta Solenidade, por motivos imperativos – cria os Intercâmbios Culturais e os Encontros de Academias; nasce em 2013, o Bloco Lírico da AELE – que homenageia a cada ano, um personagem Escadense que se sobressai, contribuindo culturalmente para a cidade; ainda em sua gestão, a AELE apadrinha a Fundação da Academia Morenense de Letras e Artes – concluída em 2014. Sua gestão é marcada por uma grande explosão de pessoas que acorriam incessantemente, na busca de tornarem-se “Acadêmicos”; e como diziam “eles”, queriam ser “imortais”!
Na 3ª Gestão, de 2014 a 2015 – a Presidenta, professora e escritora, Teresinha Melo, cria o Forró da AELE, a fim de estreitar os laços entre os Acadêmicos; cria o Encontro entre Poetas Populares e os Acadêmicos da AELE, com Almoçando no Mercado – com apresentações musicais e recitais, consolidando o popular com o erudito; ainda em sua gestão, a AELE, apadrinha a Fundação da Academia Cachoeirana de Letras e Artes, no Estado das Bahia – ano de 2015; e cria também, o Encontro das Academias de Letras e Artes das Microrregiões de Pernambuco, que teve seu 1º Encontro na cidade de Escada, e prosseguindo, nas cidades de Moreno, Paulista, Cachoeira da Bahia, e Tamandaré. A Presidenta, Teresinha Melo, dá continuidade a todas as atividades culturais criadas pelos colegas que a antecederam; e na AELE, aconteceram naquele período, muitos lançamentos de livros de seus Acadêmicos atuantes.
Na 4ª Gestão, de 2016 a 2018 – a Presidenta, professora e escritora, Ana Lúcia Neto, promove o Encontro de Escritores e Poetas da cidade de Tamandaré – cidade litorânea de Pernambuco, e prossegue promovendo os Saraus Mensais da AELE, dando um novo fôlego a escritores até então sem atuação acadêmica.
A Academia Escadense de Letras, conta hoje, com:
26- Membros Efetivos;
23- Membros Correspondentes;
27- Membros Honorários;
07- Membros Beneméritos;
17- Jovens Intelectuais.

(Fala da Oradora)

 Enfim, chegamos até aqui!...
 Prezados Acadêmicos Tobienses,                                                                                                          
     Esses dias, e esta noite, ficarão marcados em nossa memória – lendo um breve Ensaio do grande Poeta Francês, Charles Baudelaire, direcionado ao seu amigo, e também Poeta, Allan Poe, ele afirma ao colega, que: “É fácil observar que a Natureza torna bastante dura a vida daqueles, de quem deseja extrair grandes coisas”; estando lendo o grande escritor Alemão, Thomas Mann, em um de seus Livros de Ensaios, intitulado O Escritor e sua Missão, pude perceber que todos nós, escritores, devemos atentar que para dias tão difíceis, onde pessoas desorientadas procuram acreditar em “quaisquer coisas”, ou  em “mais nada”; onde a desesperança marca suicídios; onde pouco alento resta tanto para pobres, quanto ricos, é bom saber, que temos uma “Missão”. Da Arte, nossa companheira e amiga, dizia o grande Romancista Francês, Gustave Flaubert: “Ama a Arte mais que a ti mesmo; é o amor que não te faltará nunca; que a doença não atinge, nem a morte”. Somos portanto – Artistas da Palavra – e podemos perceber, em todas as suas modalidades, como: Cênicas, Fônicas, Espaciais e Plásticas, que delas todas, só a Arte Fônica, que compreende, a Poesia e a Literatura – a Arte da Palavra – é capaz de modificar o pensamento humano; daí, que o “gênio”, revela-se, onde aparece algo nunca antes intuído, onde algo nunca antes imaginado se materializa, onde a surpresa e o encanto que causa pasmo, possibilita que uma Obra atravesse anos, séculos, milênios. Tobias Barreto, atravessa  já três séculos, e se perpetuará ainda mais. Diz o grande crítico Otto Ranke, que: “A Literatura é o sonho acordado das Civilizações”; então, prezados colegas Acadêmicos, temos algo a dizer, temos esperança e caminhos a indicar, temos em nós, a preciosidade da “palavra” que encanta, deleita, ensina, enche de prazer, graça, contentamento, mas também que pode matar!” ; então, “Ser escritor, é ter compromisso com a humanidade(S. L.); temos o dever de ensinar o povo a pensar; somos “alguéns” que detemos a grande e majestosa “Arte da Palavra”. Aprendemos, que, todo grande Poeta  é  profeta do seu tempo, e temos nas cidades de Escada e Tobias Barreto, bons Poetas, que vêm “Lutando com Palavras”; mesmo que a Luta prossiga “nas ruas do sono”.
Maravilhoso estar convosco!
E voltando ao “sentimento de Sertanidade”, pois que todos somos Nordestinos, que sempre esperamos a CHUVA, a “temporã e a seródia”, mesmo agora, quando o mundo globalizado perdeu a essência, o rumo, e muitos, a Esperança; num Universo que engloba a Trilogia de toda a dimensão humana: a Terra, o Homem, a Luta; só nós, podemos dizer-lhes: “A CHUVA vem – e em vindo – virão as de São José, as da Primavera, quando as nuvens negras, irromperem no horizonte, e o céu riscar-se de raios frementes, os ares encherem-se de sons reboantes, e a festa, finalmente começar; e quando os grossos pingos de CHUVA encharcarem a Terra moribunda, e as cacimbas e os ribeirões se fartarem, os “mulungus” florescerem, as “baraúnas” ressurgirem; ouviremos a voz de Euclides da Cunha: “O Sertão é um vale fértil,  O Sertão é um paraíso”quando de homens como Tobias, tirar-nos do torpor em que nos encontrávamos, poderemos dizer do nosso Povo quão forte, da nossa Luta quão renhida, e desde então, “O Sertão de Tobias, é nossa Pátria!”
A Academia Escadense de Letras, agradece a todos os Tobienses – a recepção magistral, e o doce acato.

Obrigados, amados colegas!

  (Sevatil Lôbo de Siqueira – Oradora da AELE)

*************************************************************
Cachoeirinha-BA
03/10/2015

Discurso Fundação Academia Cachoeirana de Letras
PRESIDENTE da AELE: TERESINHA DE JESUS OLIVEIRA GUIMARÃES DE MELO


Amigos acadêmicos,  autoridades aqui presentes e representantes,  meus senhores,  minhas senhoras,  Sociedade da bela e hospitaleira cidade de Cachoeira,  É com prazer que partilhamos deste momento festivo,  em que celebramos a Fundação da Academia Cachoeirana de Letras. 
 A AELE - Academia Escadense de Letras vive o III Intercâmbio Cultural,  com a finalidade de troca de experiências e culturas,  e não poderiamos ter escolhido cidade melhor para visitar e agregar novos conhecimentos à nossa Academia.  Estamos hoje,  partilhando desta alegria indescritível,  um marco importante para a história desta cidade,  que muito preservou a sua identidade Cultural e histórica, levando a cidade a receber o status de "Cidade Monumento Nacional",  e "Cidade Histórica" (pela sua valiosa e decisiva participação nas lutas pela Independência do Brasil). 
 Diante de tantas riquezas,  ressalto que maior será a missão dos nobres amigos acadêmicos,  que é buscar preservar a Identidade Cultural de Cachoeira,  É despertar o interesse dos mais novos pela história,  arte e Cultura,  fazendo com que,  esta terra continue sendo celeiro da literatura e da arte de modo geral.
A Bahia como um todo,  mas especialmente a cidade de Cachoeira,  merece de presente o empenho dos nobres acadêmicos,  a bravura para quebrar os paradigmas,  visando difundir o conhecimento,  gerando novas percepções e olhares mais acolhedores as diversas manifestações literárias e artísticas. 
 É nós dá AELE,  estaremos sempre a postos, tendo a certeza de que somos academias irmãs,  que laços de amizade serão aflorados,  pois,  somos amigos da mesma causa,  a que vivificaremos a luta diária pela dignidade e reconhecimento do escritor,  pela perpetuação dos livros palpáveis,  face a uma tecnologia cada vez mais crescente, e do direito de todos sem exceção ao acesso e intimidade com os livros e com as mais diversas formas de arte. 
 Deixo-vos com uma frase da minha patrona Clarice Lispector que diz: "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido,  mas aquele que vai acompanhado,  com certeza vai mais longe." Que possamos caminhar juntos e nos apoiar mutuamente. 
 Aguardamos nossos queridos confrades da Academia Cachoeirana de Letras,  em seu I Intercâmbio Cultural,  para visitar e conhecer a cidade de Escada, terra do Barões e Berço de Cícero Dias.  Portanto,  nobres acadêmicos será uma honra rececê-los em nossa cidade da Escada...  Temos um encontro marcado! 

Um abraço a todos,  sucesso e um até breve! 

Teresinha Melo
Presidente AELE

*******************************************
Escada, 24 de maio de 2015.

DISCURSO na solenidade de posse de novos membros da AELE – Academia Escadense de Letras
PRESIDENTE: TERESINHA DE JESUS OLIVEIRA GUIMARÃES DE MELO

Amigos Acadêmicos, Autoridades aqui presentes e representantes, caros amigos, meus senhores, minhas senhoras, é com prazer que partilharmos deste momento festivo, em que novos acadêmicos tomam posse como membros na AELE – Academia Escadense de Letras.
Em mais um aniversário da nossa querida cidade da Escada e o 5º Aniversário da Academia, tomam posse membros que fortalecerão a nossa Academia, o nosso empreender social, por meio do estímulo a leitura, a escrita e as mais diversas artes.
Fortalecemos a cultura escadense, com ações concretas de resgate e incentivo a cultura local. Escada merece de presente o nosso empenho, a nossa bravura em quebrar os paradigmas, em difundir o conhecimento, em gerar novas percepções e olhares mais acolhedores as diversas manifestações literárias e artísticas.
A nossa missão é cada vez mais crescente, e justifica a integração de novos membros, capazes e comprometidos com a nossa causa, que busquem dignificar a AELE, os acadêmicos e a nossa amada Cidade da Escada. Que todos sejamos renovados e acrescidos de valores, através da partilha das palavras, palavras que tem vida, que curam, que renovam e que reascendem em nós a vontade de alçar vôos mais altos e ir sempre mais além.

E como diz a minha querida Clarice Lispector, “A noite de hoje está me parecendo um sonho. Mas não é. É que a realidade é inacreditável”.

Tê-los juntos nesta bela causa, é realmente inacreditável.

Arregacemos as mangas, mãos a obra, avante sempre! Sejam bem vindos!
Nosso muito obrigado!
Teresinha Melo
Presidente AELE

******************************************


Escada, 19 de julho de 2014.

DISCURSO DE POSSE DA PRESIDÊNCIA DA AELE – ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS – BIÊNIO 2014 A 2016.
PRESIDENTE: TERESINHA DE JESUS OLIVEIRA GUIMARÃES DE MELO

Excelentíssimo Senhor ex-presidente da Academia Escadense de Letras Sr. Waldyr José Siqueira, Amigos Acadêmicos, Autoridades aqui presentes e representantes, caros amigos, meus senhores, minhas senhoras, é um prazer partilharmos desta noite de evocações, celebrações, e, diria também de um novo jeito de caminhar, pois, como afirmou à pensadora, escritora e poetisa Clarice Lispector, “O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.”
E com esta certeza cumprirei com amor, disponibilidade e fé os desafios confiados a mim nesta noite, que é de presidir a Academia Escadense de Letras no biênio 2014 a 2016. Gostaria de aproveitar a oportunidade e parabenizar os trabalhos desenvolvidos pelos Acadêmicos e amigos José Luís Minduca e Waldyr José Siqueira quando na Presidência da Academia, por terem contribuído para que a AELE, tenha hoje conquistado o respeito e reconhecimento da sociedade Escadense, bem como, das demais Academias do Estado de Pernambuco.
Ver-me hoje aqui nesta noite festiva, percebo quão longa foi esta trajetória, das lutas incansáveis, das alegrias incontáveis e da eterna gratidão. Trata-se de uma trajetória de vida e de amor, de descobertas e de crescimento a cada palavra, pensamento, reflexão, que nos faz amantes das letras, dos livros e da transformação da essência da alma para os textos que nos justificam tantas vezes, como poetas e agentes transformadores da cultura, da literatura e da vida.
“Todo mundo que aprendeu a ler e escrever tem uma certa vontade de escrever. É legítimo: todo o ser tem algo a dizer. Mas é preciso mais do que a vontade para escrever. Ângela diz, como milhares de pessoas dizem (e com razão): "minha vida é um verdadeiro romance, se eu escrevesse contando ninguém acreditaria". E é verdade. A vida de cada pessoa é passível de um aprofundamento doloroso e a vida de cada pessoa é "inacreditável". O que devem fazer essas pessoas? O que Ângela faz: escrever sem nenhum compromisso. Às vezes uma só linha basta para salvar o próprio coração.” Clarice Lispector in Um Sopro de Vida.

Quem nunca se viu descrito em um pensamento poético? Qual de nós não foi acometido da sensação de que aquilo foi escrito para nós ou por nós? Ah! Nossos pensadores são mais que construtores do saber, ou da formação de um conceito, ou até mesmo de descortinar os sentimentos?! São, portanto, os ouvintes dos leitores! Ao lermos os textos, temos a singela sensação de ler algo que também ajudamos a escrever, parece muitas vezes, que somos autores daquele pensamento e nos tornamos íntimos, e muitas vezes, sem nem ao menos escritor e leitor se conhecerem.
Este é o fantástico mundo que nós escritores pertencemos. E é por termos este sentimento de cumplicidade com os nossos leitores, e pela necessidade da nossa alma poética, que escrevemos, que formamos poemas, crônicas, reflexões, que transformamos e agrupamos tudo isso no velho e querido amigo que chamamos de livro. Livro, que tem cheiro e que nos dar um prazer indescritível de folheá-lo e muitas vezes partilhá-lo.
Há, portanto, nesta noite uma mistura de sentimentos. Uma gratidão aos bons e velhos livros, aos queridos escritores e aos demais leitores, por deixarem vivo este processo transformador, por que ninguém lê um bom livro, sem ser transformado de alguma maneira.
Acredito que agora a partir desta noite encontrei o meu jeito de caminhar. Primeiramente é sendo grata a DEUS, por Ser meu fiel companheiro, amigo e ator protagonista, do principal livro já escrito que é a Bíblia, baseado em uma história real. Nesta obra, encontramos sempre um conforto, uma palavra, um encaminhamento de sabedoria, basta-nos ter a fé e a certeza de que o autor da vida, nos mostra através de um livro, um caminho para a felicidade e vida eterna, ainda que muitas vezes tenhamos sofrimento, angústia e dor, mas Ele nos justifica e nos faz vencedor, “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” João 15:7.
E o que seria de nós sem os amigos? A vida não seria tão bela. Aos amigos o meu amor e gratidão por tudo, parceria, presença e também pelas ausências. Os amigos enchem nossas vidas de alegria, e em nossas conquistas mais humildes, alegram-se junto a nós, acreditam que sempre podemos ir mais além, e tornam qualquer encontro despretensioso em momento de extrema alegria, e sei que hoje não é diferente. Agradeço aos amigos presentes e aos ausentes também, por cada incentivo, carinho e aconchego a mim ofertado. Essa conquista também é dedicada a cada um dos meus amigos, que são a diferença na minha vida, e como Eclesiástico 6:14 demonstra, "um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade da sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor achará esse amigo. Quem teme o Senhor terá também uma excelente amizade, pois o seu amigo lhe será semelhante".
A gratidão é um dos maiores ensinamentos que temos que aprender. Portanto, externo a todos os meus companheiros acadêmicos o meu agradecimento por terem me escolhido para fazer parte da Academia, bem como, para a partir deste momento presidir esta Instituição. Obrigado a todos pela confiança, amizade e afeto a mim dedicados. Ressalto que continuarei precisando do apoio e colaboração de todos, para que possamos consolidar a AELE como uma Academia de destaque em Pernambuco e consequentemente em toda a Região Nordeste. A minha administração partirá de um princípio de informações compartilhadas e aberta, ninguém constrói nada sozinho, é preciso mais que dois braços para dar continuidade a esta linda e imortal obra, portanto, conto com todos vocês.
Para a minha família, que são a minha base, meu porto seguro, a quem devo o amor, a educação, a doação, a entrega ilimitada, que sempre estiveram ao meu lado, apoiando, segurando e fortalecendo, para que as intempéries da vida não me fizessem desistir, minha gratidão e amor infinitos. Aos meus pais e irmãos, a minha entrega plena e consciente de que vocês são bênçãos recebidas por DEUS; aos meus filhos a certeza de um amor incondicional, a graça de viver três lindos milagres, que muito alegram o meu coração pelo carinho e amor que vocês me dedicam todos os dias, Rômulo, Renan e Thomaz são a alegria da minha vida e a certeza de que tudo que vivemos vem sendo honrado por vocês e eu como mãe, só tenho a agradecer; ao meu querido esposo Reginaldo Melo, pela parceria, lealdade, cumplicidade e amor que embala a nossa vida durante esses 25 anos de casados, de uma relação que vai além da alegria, é baseada no amor puro e sincero, e é a quem dedico mais esta conquista, por todo apoio e carinho que cumulou durante toda a nossa vida.
Enfim, para encerrar minhas palavras, trago mais uma vez um texto da minha patrona Clarice Lispector in Um Sopro de Vida: “Tenho vontade de escrever e não consigo (...). O que escrevo está sem entrelinha? Se assim for, estou perdida. Há um livro em cada um de nós.”
Que possamos continuar este lindo e responsável caminho, com o compromisso de salvar os nossos corações, com o que faz da palavra algo essencial, que é a arte ou dom, de transforma-se em balsamo curador.
Boa noite a todos!!!
***********************
DISCURSO DO III ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS-AELE – EM 24 DE MAIO DE 2013 – DA ESCRITORA E PROFESSORA - ACADÊMICA SEVATIL LÔBO

    Lembrando o Mestre das Letras Portuguesas, em seu Canto “V”, estrofe 37, do seu “Lusíadas”, faço dele memória, para iniciar este saudoso discurso. E, trazendo para o presente a majestosa Obra, daquele que metaforizou a Língua Portuguesa, como “A última flor do Lácio, inculta e bela”, tomo dele os versos, e os parafraseio: “Porém, já três anos são passados”, quando o Poema inicia a invocação às musas e se apresenta o gigante Adamastor.
Sem desejar fazer o nosso Mestre remover-se dentro de sua tumba, digo a esta Academia, que a Língua Portuguesa, está hoje, mais bela, porém, não mais inculta; propagou-se, aperfeiçoou-se, desenvolveu-se, por meio de escritores brasileiros, e particularmente, em pernambucanos de alto nível literário, que eternizaram-na, em seus livros, e só para citar alguns, como: Waldênio Porto ( incansável presidente da Academia Pernambucana de Letras) , com seu “Violinos do Coque”; Alexandre Santos (incansável presidente da União Brasileira de Escritores), com o seu “Maldição e Fé”; Antônio Campos ( baluarte da FLIPORTO e tão jovem ainda, patrimônio vivo, do povo pernambucano), com  seu “ O livro do Futuro”; de um Ariano, Mestre incansável, que por amor ao Nordeste, aceitou até a andar de avião, e eternizou-se na “Pedra do Reino” que é o ‘seu Reino’, e onde está o ‘seu Reinado’; de  Romancistas do quilate de Carrero e Correia de Brito, o 1º com seu “A minha alma é irmã de Deus” e seu “Tangolomango”; o 2º com sua “Galileia” e “Estive lá fora”. Divaguemos mais, Pernambuco, de uma Lucila Nogueira, poeta de sensibilidade incomensurável e à toda prova, com seus “Almenaras”; e que dizer dos Poetas e críticos literários: Marcos Accioly e César Leal?! O 1º com seu”Latinomérica” galopante, batendo nos gonzos os ‘rounds’ da vida do povo sofrido, da América Latina; e o César, esse mito vivo, de uma Obra crítica de peso, em 2 volumes espessos, em que dá a dimensão da Literatura e de sua Literariedade, do seu efeito “sinfrônico”, que nos aquece, encanta, enobrece e nos faz conhecer a nós mesmos.
Como senhores??! Não seguir seus exemplos? Não me peçam para ser breve, pois quem aceita estar na posição de “Acadêmico”, de bom grado acatará essas minhas palavras...(tão minhas)... E por tudo isso, chegamos a 2013 e a esta festa de ‘três anos’. Do estado do Pará acompanho vossos passos sorrateiramente, e nem sempre manifestando minha opinião, mas quero lembrar, relembrar, aos senhores, a missão, o juramento, desta Academia de LETRAS, e para isso, reporto-me ao nosso tão singelo lema: “Lutar com Palavras”. Será vã, nossa luta?! O que traduz um “Acadêmico de Letras? ; dizia certo professor de Línguas , que “As palavras têm um poder assustador; podem exaltar um homem até o delírio, mas podem também, espicaçá-lo até a loucura”. Então que fazer?!:       
Andar com palavras, comer com palavras, gritar com palavras, servir com palavras, ensinar com palavras, criar com palavras, bater com palavras, educar com palavras, amar com palavras; DE-SEN-VOL-VER-SE, com palavras, e mais que tudo: “LUTAR COM  PALAVRAS”... . E, se nem Cristo, abriu mão, do seu poder da “PALAVRA”, da sua Palavra que abriu portas, ferrolhos, e apontou caminhos a esse mundo confuso, que “segue punido por seus próprios excessos”, nós também, havemos de lutar com as ‘palavras’.
Alcançamos esta graça: “ 3 anos Acadêmicos, em prol da Cultura Escadense”, e lembro de uma quadra de um conjunto de pensamentos meus, intitulado “Os seis nadas”, onde afirmo:
Nada é, quem nada sabe;
A ignorância é o nada,
O nada in-di-VISÍVEL;
Se nada sabes, tu és nada”. 

Parabenizo aos que hoje, nesta Academia ingressam, e um “Grande Pedido”, espelhem-se, nestes grandes heróis contemporâneos aqui citados, e muitos não citados, e lutem pela ACADEMIA ESCADENSE DE LETRAS, e lutem “Com Palavras”.
Ao presidente Waldyr Siqueira, um abraço forte, e a todos os meus colegas de luta acadêmica, que comigo também, fundaram esta Academia de Letras Escadenses.

             (Escritora e professora – Acadêmica, Sevatil Lôbo)      

---------------------------------

Discurso de Fundação da AELE em 24 de maio 2010

Fundação e Posse dos Acadêmicos Fundadores

Savatil Lôbo*
(1) Comecemos por parafrasear uma pergunta que dá título, a um dos livros do escritor e crítico literário Afonso Romano de Sant’Anna; pergunta esta, feita quando do Romantismo Brasileiro, por José de Alencar, e mais tarde, por Machado de Assis, já no Realismo; e por fim, por um jovem ícone da música popular brasileira, Renato Russo, no séc. XX, precisamente nos anos 80 – “QUE PAÍS É ESTE?” – nossa paráfrase é: “QUE DIA É ESTE?”
E para falar deste dia desejamos traduzi-lo em três palavras – Este é o dia Magnânimo, Memorável e Magnífico; Magnânimo – porque é grandioso em seu ideal, e expressa a grandeza de alma de seus Acadêmicos; Memorável – porque ficará na memória dos que aqui chegaram, e será escrito nos anais desta cidade que hoje renasce; e Magnífico – porque esplende em beleza, em suntuosidade e em excelência daquilo que é bom, para enaltecer e dignificar o homem; O dia da Fundação da Academia Escadense de Letras.


(2) Mas, alguns perguntarão: “O que é e a que se propõe uma Academia de Letras?”

Uma Academia de Letras fomenta em seu reduto a expressão de uma cultura voltada para o aprimoramento do saber e da palavra enquanto Arte; abriga poetas, escritores, ensaístas, cientistas, filósofos, juristas; somos então uma sociedade de caráter literário, científico, artístico, e filosófico; temos o compromisso de esclarecer as mentes, alimentar idéias, leituras seletivas, ajudar na produção da palavra artística; sem deixar de proclamar as inquietações sociais próprias de um novo século, no campo político, social, religioso e, também estético.

(3) Passemos à origem da nossa cidade.

Data de 1589 as primeiras aldeias indígenas aqui existentes. Os jesuítas tinham a missão de catequizar os índios encontrados, que eram conhecidos à época como: Mariquitos, Tabajaras e Potiguares. A denominação do nome “Escada” surge quando um jesuíta resolve erguer no alto do morro, um nicho para uma imagem de Maria, e escavou numa das encostas uma escadaria no barro, daí o nome “Nossa Senhora D’Apresentação da Escada”. Com o desaparecimento dos índios da aldeia de Escada, e com o crescimento da população nos arredores da missão, formou-se o povoado, e no local, onde outrora fora erigido o nicho, formou-se uma Capela sob o mesmo nome, a qual serviu de Igreja Matriz, por um longo tempo, até que em seu lugar fosse edificado o atual templo em 1874.
Vieram os Engenhos e as Usinas de cana-de-açúcar; os Engenhos, entre eles: Alegria, Campestre, Canto Escuro, Conceição, Firmeza, Refresco, Sapucaji e outros. Também as Usinas que surgiram, no início da República, após o fracasso dos engenhos centrais, como: Barão de Suassuna, Liberdade, Massauassu. Data de 24 de maio de 1873, a sua elevação à comarca e cidade, e hoje, completa 137 anos, de sua emancipação política. (segundo o livro Escada – Riqueza de Pernambuco, do Acadêmico, hoje empossado o Dr. Luís Minduca, é dele o poema: Escada). Escada tem a perífrase de: “Princesinha dos Canaviais”; quem aqui nasceu ou nela viveu sua infância, lembra dos banhos no rio Ipojuca; do barco atrelado à margem do quintal para os passeios vespertinos, das corridas de bicicleta da ladeira do comércio até à estação de trem, dos bois bravos que fugiam do matadouro velho, às sextas feiras, e eram a diversão da criançada; quem não lembra das Minas d’água, das caças em uma fauna e uma flora exuberantes?; dos araçás, das pitangas, azeitonas, e dos jabuzeiros que rodeavam a prefeitura. Ah! O Ginásio Nossa Senhora da Escada; quem não lembra da Madre Eucaristia? Das irmãs Leônia e dos Anjos, e até do esqueleto das aulas de ciência, que chamávamos Carlito? Dos primeiros mestres – do professor Cláudio, matemático, filósofo e poeta, que nos inspirava a todos; do professor Lôbo, que nos ensinava inglês, história, educação física e filosofia, estudioso pertinaz do idioma russo; autor do livro “Catende e Eu” e patrono da Cadeira nº04, meu pai! Da professora Vanilda Lôbo; mestra incansável, que aqui chegou em 1956, fincou raízes, e dedicou 45 anos de sua vida profissional a esta cidade, e que (acaba de receber o título de cidadã escadense) escreveu sua história por entre as ladeiras desta cidade, e agora... pediria um salva de palmas para ela, minha mãe!
Hoje, Escada cresceu; segundo o último censo do IBGE, tem 54.000 habitantes, mas já somos estimados em 70.000 habitantes.


(4) Passemos à Casa Tobias Barreto.

A escolha do patrono da Cadeira nº01, Tobias Barreto, devemos à historiadora, Mariinha Leão, que cultiva um terno respeito, à pessoa do filósofo, crítico, poeta e jurista brasileiro; fundador do condoreirismo e patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras.

Nascido a 7 de junho de 1839 em Vila de Campos do Rio Real, Sergipe, em 1861 chega à Bahia; de 1854 a 1865, o jovem Tobias, para sobreviver deu aulas particulares.

Em 1867, vence em concurso à vaga de professor de Filosofia, mas é substituído por outro; publica nessa época “Os Enigmas do Universo” e “As Maravilhas da Vida”. No campo das produções poéticas, competia com o poeta baiano Antônio de Castro Alves;

Por ser mestiço, teve sua vida amorosa conturbada, numa época cheia de preconceitos conforme o crítico Sílvio Romero;

Na oratória Tobias se revelava um mestre, qualquer que fosse o tema escolhido;

Antes de concluir o curso de direito casou-se com a filha de um coronel do interior, proprietário de engenhos no município de Escada;

A residência em Escada durou cerca de 10 anos, nos quais, dedicou-se a aprofundar-se no estudo do Alemão;

Publicou os estudos filosóficos “Tomás de Aquino” e “Teologia e Teodicéia não são Ciências”, e ainda “Jules Simon”. Foi em alemão que Tobias redigiu o “Deustscher Kampfer” (O lutador alemão). Mais tarde, saíram de sua pena os “Estudos Alemães”. Em 1889, uma semana antes de morrer, escreveu uma carta ao amigo e ensaísta Silvio Romero solicitando ajuda, mas faleceu 7 dias depois, hospedado em casa de um amigo.

A obra de Tobias é de significante valor, e Hermes de Lima, ao comentar o refúgio dele em Escada, esclareceu: “Em Escada, além de publicar o “Fundamento do Direto de Punir”, é onde elabora sua posição filosófica, que traça as coordenadas da revolução espiritual que viria a deflagrar-se no país”. Hoje, em sua homenagem, a Faculdade de Direito de Recife é carinhosamente chamada de “A Casa de Tobias”. Um dos anseios de Tobias era fundar o Clube Popular Escadense (1877), cujo objetivo era aguçar o intelecto da pequena Vila de Escada.

Apresenta nos veículos de comunicação, como crítico, 3 perfis:

- O de jornalista – pelo cuidado em levar informações verdadeiras ao leitor;

- O de curador – pela luta incansável contra as injustiças aos órfãos, razão de protesto e de luta;

- O de intelectual – criando e difundindo um clube, a fim de solucionar os problemas da comunidade escadense. Enfim, a luta pelo direito do povo foi mais forte que a de sua própria profissão. Sua presença em Escada, foi marcada pela obstinação, na luta contra as autoridades e ricos da cidade. Ficou-nos a sua imagem de quem tentou passar a limpo este País, a partir de uma pequena cidade do interior de Pernambuco.



Esta Academia Escadense de Letras, presta-lhe hoje, mais uma homenagem, a de imortalizá-lo como patrono da Cadeira nº01 – da historiadora Mariinha Leão, e ao mesmo tempo, honrá-lo nomeando esta Academia, como: “Casa Tobias Barreto” → a ele nossa imensurável gratidão.



(5) Desejo agora, falar um pouco acerca de nós, Acadêmicos empossados − num tempo não muito distante dos anos que ora correm, um grupo de pessoas decidiram criar uma Academia de Letras para abrigar as vozes personalíssimas, de timbre inconfundível, e que sozinhas definem seu espaço e seu universo, independente do tempo em que vivem.

Eram 5, juntei-me a eles; um médico, um advogado, um cordelista, um jurista e duas professoras:



- O médico → jovem pertinaz em alcançar seus ideais, perseguiu este sonho, e sem intimidar-se com os desanimistas, correu ainda mais atrás do sonho e contagiou os outros − O Dr. Luís Minduca.



- O advogado → que mesmo trabalhando entre pilhas de processos, em seu escritório em Recife, nunca esqueceu sua terra, e para ela desejou um “cenáculo do saber” − O Dr. Sebastião Araújo.



- Um cordelista → aquele sempre presente nos eventos, nas escolas, na Faculdade, que a todos encantava com seu martelo cadenciado, com que atacava a inércia dos escadense − O poeta Valdecí Leocádio, que trouxe consigo a descendente indígena sua esposa.



- Um jurista → que por amor à Literatura, estava sempre em contato com eles, estimulando, orientando e perguntando “Quando faremos a Academia de Letras?” − O Dr. Juiz de Direito, Arnaldo Spera. 



- Duas professoras → uma, historiadora nata, outra ficcionista, que partiu para longe, mas nunca esqueceu a infância das ladeiras, e o desejo de criar uma casa literária, onde a cultura tivesse livre curso − Mariinha Leão e Sevatil Lôbo; e vieram os outros, juntaram-se a nós! E portanto, para todos nos acadêmicos, é muito mais que o sonho concretizado, e por isso, determinamo-nos a seguir em frente, côncios de que “Escrever é comunicar aos outros que eles não estão sós.”


(6) Nosso brasão → Traz em seus símbolos a história passada e a por vir. Nele estão representados a antiga opressão aos índios aqui encontrados, sendo suas lanças fincadas na Escada, com as pontas para baixo e para cima, como a gritar, que hoje não é mais tempo de opressão. A escada simboliza a nossa própria cidade, que tendo seus degraus calcados nas correntes, fala dos negros aqui oprimidos nos engenhos de cana-de-açúcar, que foram decantados pelos poetas do abolicionismo; a cana-de-açúcar, fala dos engenhos, das usinas, da cultura açucareira, antes a principal; o livro e a pena, são as letras de idéias eternas, pelas quais os homens lutaram ontem, lutam hoje, e lutarão amanhã. No contorno, estão as palmas da sabedoria acadêmica. 

(7) Nosso lema traduz um verso, do poeta Carlos Drummond de Andrade; ‘LUTAR COM PALAVRAS’; gostaria, neste momento, de encontrar a metáfora mais linda, que pudesse descrever a realeza e importância deste lema, pois que o imaginário filosófico e literário que envolve sua profundidade é indizível.

O que pedimos aos escadenses? Lutem com palavras! Afinal, lutar com palavras:


1 – É abolir a ignorância!

2 – É quebrar os grilhões!

3 – É vencer os obstáculos!

4 – É dar asas para a Liberdade!

5 – É transformar vidas!

6 – É alimentar sonhos!

7 – É defender um ideal!

8 – É suavizar realidades tristes!

9 – É abrir olhos a cegos!

10 – É fazer crer no impossível!
11 – É vencer o vencedor!
12– É também, ser poeta, escritor, cientista, filósofo, historiador, é ser alguém que sabe, que o mundo seria escuro e frio, sem a Palavra!

Enfim, ... lutar com palavras ... é contentar, deleitar, encantar, alimentar e alegrar a alma dos homens!

(8) Dificuldades – surgiram inúmeras; daqueles que defendem até hoje, tendo suas almas ainda na escuridão, o lema oposto: “nada em Escada vai pra frente”. Hoje amigos! Cai por terra esse pensamento tacanho! Escada − tem agora, uma Academia de Letras!



(9) Agradecimentos – “Que são os grandes impérios sem a justiça?” Advertia-nos Santo Agostinho – “Apenas imensos latrocínios!” E a justiça mais justa é a divina. Queremos agradecer a Deus, “...Em quem estão escondidos os tesouros da Sabedoria e da Ciência”. Ele, que um dia ao ser inquirido por Jô, perguntou “Onde estavas tu quando eu fundava a Terra? Faze-mo saber, se tens inteligência? Quem encerrou o mar com portas e ferrolhos e lhe disse: Até aqui virás, e aqui se quebrarão as tuas ondas enpoladas? Onde está o caminho da morada da luz? E quanto às trevas, onde está o seu lugar? Decerto, tu o sabes”. A Ele, o nosso Criador, razão maior de nossas vidas – horas, glórias e louvor!



(10) Fica uma mensagem final, desta Academia; que se encontra nos versos de Castro Alves, no poema “O Século”:



“Que os fracos recuem cheios de horror. 

A vós, herdeiros dos Gracos, 

Traz a desgraça – valor!

Lutai... Há uma lei sublime!
...Marchai.

Obrigado a todos!!!

                                                                                                       Escada, 24 de maio de 2010
Discurso proferido por ocasião da solenidade de fundação e posse dos acadêmicos fundadores da Academia Escadense de Letras.
(*) A acadêmica Savatil Lôbo é professora, escritora e ensaísta.

Acadêmicos Fundadores da AELE

Foto: www.tirandoonda.com.br
1. Maria Jose Leão Portela Gomes (Mariinha Leão)
Cadeira: 01
Patrono: Tobias Barreto

2. José Luís Minduca
Cadeira: 02
Patrono: Samuel Campelo

3. Sebastião Ferreira de Araújo
Cadeira: 03
Patrono: Padre Geraldo Leite Bastos

4. Sevatil Lôbo de Siqueira
Cadeia: 04
Patrono: Sebastião Ferreira de Barros Lôbo

5. Valdecí Leocádio de Siqueira Filho
Cadeira: 05
Patrono: João Cabral de Melo Neto

6. Adriano de Souza Sales
Cadeira: 06
Patrono: Josué de Castro

7.
Cadeira: 07
Patrono: Joaquim Nabuco

8. Severino José Lins
Cadeira: 08
Patrono: José Lins do Rêgo

9. Waldyr José Siqueira
Cadeira: 09
Patrono: Paulo Reglus Neves Freire
10. Marcos Galdino dos Santos
Cadeira: 10
Patrono: Humberto Rhoden

11. José Adolpho da Cunha Correia
Cadeira: 11
Patrono: Manuel Bandeira

12. Maria Elizabeth Varela Leocádio
Cadeira: 12
Patrono: Mário Souto Maior

13. Ana Lúcia Gomes Cavalcante Neto
Cadeira; 13
Patronesse: Cora Carolina

14. Maria do Carmo Souza
Cadeira: 14
Patrono: Cassimiro Cunha

15.
Cadeira: 15
Patronesse: Cecília Meireles


Um comentário: